A Igreja Presbiteriana do Brasil, com o intuito de debater a captação de recursos para entidades ligadas a instituições religiosas lançou, em março, o I Congresso de Captação de Recursos e Sustentabilidade, realizado no Instituto Presbiteriano Mackenzie.
O objetivo era proporcionar o encontro e o intercâmbio de experiências e informações sobre sustentabilidade, mobilização e captação de recursos; agregar conhecimentos e técnicas para que as organizações não governamentais, agências missionárias, escolas, hospitais e igrejas evangélicas levantem mais recursos para as suas causas. Além disso, o congresso buscou “apresentar e compartilhar experiências bem sucedidas no Brasil e no exterior em captação e mobilização de recursos e sustentabilidade bem como conhecer fontes alternativas de recursos e financiamento”, diz Custódio Pereira, recém-empossado presidente do Instituto Presbiteriano Mackenzie e presidente da ABCR (Associação Brasileira de Captadores de Recursos).
O evento teve a participação, entre outros, de Antonio Brito, presidente do CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social), do americano Robert Crandall, do Associate General Secretary World Mission Suport e da Association of Fund Raising Professionals, de membros da ABCR e Célia Cruz, diretora da Ashoka Brasil e Paraguai. Na ocasião, Antonio Brito fez breve explicação da atuação do CNAS e de como ele processa os certificados de filantropia, que são instrumentos fornecidos pelo governo a fim de beneficiar as entidades sociais com isenções fiscais.
O congresso foi finalizado com a participação da ministra Benedita da Silva, que defendeu a idéia da parceria entre governo, organizações sociais e empresas. “Só vai haver desenvolvimento social no Brasil quando toda a sociedade se sentir co-responsável pela miséria, pela fome e pela exclusão social”, alerta.
Sobre os projetos de seu ministério, Benedita da Silva disse que vai trabalhar principalmente a questão do desenvolvimento local de famílias. “Nosso objetivo, hoje, é realizar um plano nacional de atendimento integral à família, pois os principais problemas sociais atingem o núcleo familiar e não só os indivíduos”.
Em março também foi realizado o 4º Simpósio Nacional sobre Captação de Recursos para o Terceiro Setor, no Sheraton Mofarrej Hotel, em São Paulo. Organizado pela Econômica Desenvolvimento Empresarial, por Marcos Biasioli, assessor jurídico de inúmeras entidades beneficientes e diretor técnico da Revista Filantropia, o objetivo foi orientar as entidades beneficentes e os operadores da filantropia nacional e apresentar as formas e as técnicas de captação de recursos públicos e privados. “Como advogado procurei, inclusive, municiar as entidades de argumentos legais para estimular os empresários a financiar projetos sociais”, diz Biasioli.
Nomes como Fernando Credidio, presidente da organização não-governamental Parceiros da Vida; Vivianne Naigeborin, diretora do Centro de Competência para Empreendedores Sociais Ashoka-McKinsey e Ricardo Falcão, consultor de entidades sociais na área de gestão estratégica, foram alguns dos palestrantes.
A importância da comunicação e sua utilização como ferramenta para a mobilização de recursos no Terceiro Setor foi o tema desenvolvido por Credidio. “Trabalhar bem a comunicação de uma organização é estar à frente de outras que vivem na sombra. E isso é fundamental para a sustentabilidade de uma entidade”, explica.
Outro destaque foi Vivianne Naigeborin que falou acerca das parcerias com os setores público e privado. “É preciso que as entidades busquem com qualidade forças que possam complementar seu trabalho, ou seja, procurando parceiros com mesmos valores”.
No que diz respeito à formalização das parcerias, ela ainda enfatizou a necessidade de deixarem claras e transparentes as responsabilidades de cada parte no processo. “As organizações devem ter o cuidado de realizar um termo de parceria muito detalhado, incluindo estratégias, atividades, cronogramas dos projetos sociais para que não haja divergências ou equívocos sobre o papel dos parceiros”.
Para apresentar os instrumentos legais de que as entidades podem dispor na obtenção de incentivos fiscais, Marcos Biasioli explicou como se dá a criação de uma entidade, desde a realização do estatuto até o pleiteamento dos títulos que concedem o não pagamento de tributos. Ele falou, inclusive, das vantagens e desvantagens de uma organização se definir como OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, cuja decisão deve ser feita até o dia 20 de março de 2004. “Ao se transformar em OSCIP, uma entidade terá 40% do seu controle administrativo nas mãos do governo”.
O evento ainda contou com uma apresentação emocionante do grupo de balé das Casas André Luiz, que, através da dança, busca estimular e inserir socialmente o portador de deficiência.


